Adorno, uma banda portuguesa deficientemente conhecida por nós portugueses. Apesar disso, é pela Europa que vão conquistando maior visibilidade. Para isso contribuem as colaborações com várias bandas como Sugartown Cabaret, End of a Year, Eric Ayotte, etc. O que é necessário sublinhar acerca  desta banda é a sua filosofia – transparência, pureza, sinceridade e a responsabilidade de transmitirem os seus valores. Lembro-me de trocar e-mails com um dos membros da banda, e disse-lhe que era decepcionante o facto de a mensagem tão pura dos Adorno não ser devidamente valorizada. Respondeu-me que o reconhecimento é importante mas que se sente realizado quando poucas mas verdadeiras pessoas recebem a mensagem. Sublinhou também que as pessoas se devem envolver e que está sempre pronto para conversas depois dos concertos.

Falando agora um pouco da música em si: os Adorno situam-se no punk/hardcore, no entanto, diria que rótulos como screamo e post-hardcore são mais precisos. A sua música divide-se entre as melodias cambaleantes e os acordes rápidos e frenéticos. A voz acompanha também esta alternância mas o seu tom melancólico e agoniado é uma constante. Sejamos honestos, esta não é uma banda que emana técnica e perfeição mas é precisamente tudo o que está para além da música que é determinante – as letras; os comentários que acompanham as letras, que citam várias individualidades como por exemplo Guy Deborb ou Eduardo Galeano. Tudo isto sob uma perspectiva crítica denotando a sua capacidade reflexiva. A música espelha precisamente esta atmosfera intelectual e pensativa recorrendo a uma abordagem apaixonada. Ouvir Adorno é olhar o entardecer com aquela satisfação inocente e desinteressada que antecede a convicção imperativa de continuar a lutar!

E para que tudo isto não se fique apenas pelas palavras, sinta-se o espírito DIY dos Adorno através deste documentário.

my hands are my hands, so my actions will always have my name. racionalism under the drunkness of identities and dreams. I fall from the hill of nihilism. journeys without maps. pretending these days are
my everything. feeding fire with no desire. we stand behind something. we stand behind
everything. holding on to secret plans waiting for regret.

“we are what we do, especially what we do to change what we are.” – Eduardo Galeano
the possibility of self identity is only possible through our own actions, the journey along the hill of forgettable dreams leads us to a nowhere destination.. there’s no identity without action. change is impossible without a dream.

Soyez realistes, demandez l’impossible!