tal como o título indica, este é um post relativamente diferente. encher chouriços porque quero atingir o post #51 e o que lhe sucede para terminar esta série.

hoje vou falar de música. apresentarei 5 álbuns que eu considero (quase) perfeitos e uma lista de outros tantos que merecem ser referidos.

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Tool – Lateralus (2001)

Tool, uma das melhores bandas contemporâneas. os membros desta banda são músicos exímios e as suas composições têm uma coesão inabalável. qualquer pessoa que oiça Tool é imediatamente absorvida. a mente do ouvinte deseja imediatamente transcender-se, uma autêntica projecção astral. nesse aspecto, o vocalista tem um papel determinante. a sua voz é angelical, pacífica, tranquilizante. para além disso, Maynard é capaz de se desdobrar em múltiplas abordagens vocais. Tool é muito mais que música, Tool é um Mundo de conceitos daí que seja imperativo dispensar atenção para as letras das músicas.

deste álbum, “Lateralus”, destaco a faixa com o mesmo título pois a sua composição em forma de espiral reforça a mensagem que pretende transmitir.

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Jodis – Scret House (2009)

este é um álbum difícil de roer. Jodis é um projecto de Aaron Turner (conhecido por bandas como Isis, Old Man Gloom, etc.). recorde-se o sentimento que Isis transmite devido aquelas alternâncias entre passagens super densas e pesadas e outras mais suaves e fofinhas. Jodis induz também esse tipo de sentimento mas servindo-se de outros métodos. a atmosfera geral do álbum é dominada por tempos lentos, vozes adocicadas com reverb (há uma excepção, na faixa “Secret House”), enfim, chamo-lhe drone minimalista. cada acorde surge com um sentido de oportunidade incrível, nem é precoce nem tardio, e o timbre da guitarra parece uma descarga de pura electricidade.

este é o albúm perfeito para ser ouvido sozinho, sentado no chão, em ambiente de pouca luz e com a mente devidamente preparada. destaco a música “Secret House” pois contrasta o growl de Aaron Turner com uma atmosfera instrumental levitante e pausada. cada investida que Aaron Turner comanda com a sua voz parece querer destronar este Mundo e o outro mas sem deixar um sentimento de ira maléfica.

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Rorcal – Myrra Mordvynn Marayaa (2008)

bem, este é um álbum que eu tenho de admitir que é extremamente pesado. trata-se, possivelmente, do melhor álbum de música pesada que já ouvi precisamente por me transportar para um ambiente dilacerado, destroçado, sujo, sórdico, imundo. conheci estes senhores suiços na primeira edição do Amplifest e devo dizer que na altura fiquei chocado com a brutalidade. nunca esquecerei a imagem daquele palco, envolto em escuridão e luzes vermelhas.

Rorcal é uma banda de doom, estilo musical que eu nem sigo com grande afinco. mas claro está que a qualidade tem que ser reconhecida independentemente do estilo. o problema do doom é que normalmente tende a ser aborrecido. em Rorcal nada disso acontece. as músicas são vagarosas, no entanto, estão estruturadas de uma forma incrível. os riffs são viciantes; o ritmo é vagaroso e alucinante, parece uma antítese mas não é; a voz rasga a alma de qualquer um; o som das guitarras é tão bom que cada acorde parece que é cuspido em vez de tocado; o baixo causa terramotos a 10 km de distância. destaco as faixas “Savernaya” e “Ataraxia”.

este é um álbum para estados de espíritos peculiares. no entanto, diria que qualquer pessoa de espírito aberto se renderá ao poder dos Rorcal.

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The Mars Volta – Amputechture (2006)

tendo referido que os Tool são uma das melhores bandas dos dias de hoje, sinto-me obrigado a dizer o mesmo dos Mars Volta. em particular, diria que a dupla Omar Rodríguez-López e Cedric Bixler-Zavala é digna de múltiplas vénias.

é difícil descrever a música dos Mars Volta. quando oiço Mars Volta sinto que estou num quadro surrealista. tal descrição faz sentido uma vez que recordo-me de ter lido que Alejandro Jodorowsky (cineasta chileno) é uma das influências culturais de Omar Rodríguez-López. diria que esta banda é das mais inovadoras que existe. é uma mistura interessante entre o sangue quente latino e o Mundo ocidental. a música destes senhores transporta-nos para um Mundo desconexo, alucinado e agitado. cada música parece uma celebração (“Meccamputechture” é um bom exemplo), no entanto, não estamos perante uma banda “festivaleira” e corriqueira. esta é daquelas bandas que não vale a pena descrever, oiçam! fazem música esquisita; cantam em espanhol (“Asilos Magdalena”); têm um grande vocalista que escreve letras que embora tenham significado são de difícil interpretação; têm um guitarrista que é provavelmente um dos símbolos máximos de cultura e génio contemporâneo.

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Fifty Foot Hose – Cauldron (1967)

esta pérola foi-me dada a conhecer por um amigo meu no ano passado. os Fifty Foot Hose têm apenas este álbum “Cauldron”. é, de facto, um caldeirão de psicadelismo. é um álbum que deixa a sua marca pela sua competência na simplicidade e pureza. rapidamente nos envolve na atmosfera dos anos 60: sente-se a azáfama de sentimentos, a obsessão, a loucura, o desespero pela abundância de sensações. fechem os olhos ao som de “Fantasy” e poderão até ter direito a alucinações!

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Antennas to Heaven – Hermeneutics

Baroness – Red Album *

Big Sir – Und Die Scheiße Ändert Sich Immer

White Noise – An Electric Storm

The Velvet Underground – The Velvet Underground & Nico

System of a Down – System of a Down *

Sonic Youth – Confusion Is Sex

Scott Kelly – The Wake

The Saddest Landscape – You Will Not Survive *

Russian Circles – Station *

Rolo Tomassi – Hysterics *

Riding Pânico – Lady Cobra

Pelican – City of Echoes *

The Pax Cecilia – Blessed Are the Bonds *

Patrick Watson – Adventures in Your Own Backyard

Orthodox – Sentencia *

Ornette Coleman – The Shape of Jazz To Come

Omar Rodríguez-López – Dōitashimashite

The Ocean – Precambrian *

Mike Bloomfield, Al Kooper, Steve Stills – Super Session

Mastodon – Crack the Skye *

John Butler Trio – John Butler

Isis – Oceanic *

Hiromi’s Sonicbloom – Time Control

Gojira – The Way of All Flesh *

Manel Cruz – Foge Foge Bandido

Filho da Mãe – Palácio

Explosions in the Sky – How Strange, Innocence

Envy – Insomniac Doze *

The Doors – An American Prayer

Country Joe & The Fish – I-Feel-Like-I’m-Fixin’-To-Die

Colour Haze – Colour Haze

Cat Power – Moon Pix

Cartola – Cartola

Black Sabbath – Paranoid

Botch – We Are the Romans *

KEN Mode – Venerable *

Hypno5e – Acid Mist Tomorrow *

Lo! – Look and Behold *

Sigur Rós – ()

Pink Floyd – The Dark Side of the Moon

* música pesada