na crescente diversidade e variabilidade cultural um novo fenómeno parece surgir. hoje em dia, um indivíduo pode fazer parte de imensos movimentos culturais à escala da sua vida. até acho uma certa piada ao “metaleiro” que passou a “nerd”, ou ao “capitalista”  que passou a “marxista” passando pelo “budismo”. não pretendo entreter, por isso, vou-me concentrar nas implicações deste fenómeno. primeiro, verifico que esta mudanças radicais ocorrem devido à velocidade alucinante com a informação é transmitida; em segundo, concluo que, apesar desta diversidade cultural, há um ponto em comum em todas estas pessoas – a tentativa de imporem a sua diferença. as pessoas sentem-se bem ao fazer parte de algo, quer seja de um partido político ou de uma religião. convém sublinhar que durante estas transformações a identidade de cada indivíduo vai-se perdendo. prendem-se orgulhosamente e até fanaticamente ao novo movimento a que pertencem e tomam-no logo como perfeito e totalitário. depois surge um dia cinzento e enigmático em que esse movimento deixou de fazer sentido. nessa altura, preparam afincadamente a adesão a outro movimento e imediatamente renunciam e negam a sua antiga identidade.  estupidez de gente. o indie deixou de o ser quando dois indivíduos o tentaram ser.