parece que está tudo consumado. tudo se organiza. as cores outrora disformes e borratadas tornam-se mais claras e orgulhosas. são 16 anos, é um exercício expelir tudo aquilo já construído. ninguém pensa sobre os hábitos, ninguém reflecte sobre aquilo que já está apreendido e ruminado – daí a dificuldade. sendo assim, preciso de estímulos para cuspir aquilo que sou. este é o desejo de alguém que quer “imortalizar” este momento, na esperança de que ele contenha os 16 anos.

bem sei que ninguém cria nada… bem sei que ninguém inventa nada… embora existam melting pots melhores que outros. confiando neste caldeirão onde se fecundam novas misturas, dispo-me em praça pública esperando atrair atenções.

deviam ouvir mais as palavras ingénuas de quem ainda pouco viveu. eu ainda sou eu… ainda que já contaminado por aquilo que os outros e as coisas me obrigaram a ser. no entanto, aquilo que de mim foi arrancado está ainda fresco. conheço bem os meus dogmas, ou julgo conhecer. e, em extrema análise, qual é a importância da verdade? e o que é a verdade? a verdade é apenas uma jornada, é aquilo que nos está sempre a escorregar das mãos, e nunca a apanhamos de uma vez por todas. assim, no final do dia, o que realmente interessa é apresentar algo para estimular o parceiro – a sociedade.

decidi permanecer fiel ao que sou e aqui estou eu. a minha mãe diz que às vezes é preciso “dar palha ao burro” embora eu responda orgulhosamente que não preciso disso.

Junho 2009 (?)

BBC – Human, All Too Human
http://www.youtube.com/watch?v=ZjjHO8SiwaY

a ouvir:
Colour Haze – Colour Haze