…e assim se chega ao fim de mais um dia em que tiro o casaco e com ele vão as emoções, e os pesos dos bolsos. ergo a cabeça e percorro a linha do tempo do avesso, revivendo uma pequena amostra do passado e sorrindo numa mistura de orgulho, felicidade e inocência.

todos os dias o mesmo. revisito o dia e vejo uma névoa longínqua, dispersa e levitante. sou, assim, invadido por um sentimento de difícil descrição – gratidão por me ter sido possível viver o passado? grato pela variabilidade do Mundo, tanto pelas encruzilhadas angustiantes como pelas agradáveis surpresas. não me chamem de iludido, puto ou criança. o Homem autodetermina-se, e quem já não sente esta inocência e pureza, deixou-se corromper largamente. o passado nunca se esquece, nem se tiram férias da consciência. ainda assim, da mesma forma que ela é vista como um abominável assombro, também é ela que nós faz sentar no altíssimo trono do Mundo (ou de viver nessa ilusão). este sorriso sou eu a curvar-me perante o meu potencial tornado possível pela consciência. é só isto. não existe sofrimento, nem maldade, apenas perspectivas que guerreiam entre si. e mesmo que o sofrimento e a maldade existissem, nunca sobreviveriam para sempre, seriam apenas detalhes que não ficam para a História.

o homem puro é glorioso, não conseguem ver isso? serei eu um iluminado? ou tu também já passaste por aqui e estás num patamar muito acima do meu?

a ouvir:

The Very Best of Nat King Cole – Nat King Cole

Ella & Louis – Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

MMX – War From a Harlots Mouth

Daniel Dennett