tenho pensado: 16 anos é mesmo o auge. tanto vigor, tanta vontade de poder e espelho retrovisor nicles. agora há montes de espelhos e sou eu mesmo que a mim ato um colete de forças, por pensar demais. invejo a determinação dos 16 anos.

este foi um ano estranho. deixei de ter casa, fui, sem dúvida, um passageiro. óptimo, era o que eu queria. no entanto, fragmentei-me. não consigo ser completo em todos os ambientes. triste facto.

pessoas e estandartes

cada pessoa é um estandarte. empunhar o estandarte é defender ferozmente o seu modo de vida e transmitir “sê como eu!”.

já vi demasiados estandartes e julgo ter-me colocado na pele de todos eles. claro que não me converti a nenhum deles, mas é cada vez mais difícil saber qual é o meu. todos querem que o seu prevaleça, embora isso seja altamente improvável devido à quantidade de vontades envolvidas. então, as pessoas espiam os estandartes uns dos outros. ninguém se importa com os estandartes dos outros verdadeiramente. basta compreender o estandarte inimigo e manipulá-lo para, assim, dominar este grande jogo chamado sociedade.

sobre as pessoas

nunca tive muitas certezas acerca da qualidade das pessoas. continuo a achar que a maior parte não presta mas acho que me decidi em relação a dois detalhes.

1) as pessoas não são simplesmente ocas. todos nós nos escondemos demasiado em nós, por isso, temos o dever de puxar pelas pessoas. tentar que elas saiam da esfera do comum e que se superem.

2) as pessoas que pertencem às montanhas, que são isoladas na alma, não podem esperar que as montanhas sejam habitadas. assim não seriam montanhas. ser da montanha é divergir sem olhar para trás e não ter sentimentos. existem várias pessoas da montanha, mas elas não se podem juntar. too bad.

a minha velhice

às vezes penso que não vou durar muito. não me estimo. não sou estóico nem utilitarista. outras vezes acho que gosto demasiado de mim e de viver e que o meu papel é continuar esta gestão de sentimentos, pensando um dia de cada vez.

sinto-me preso neste corpo. sinto-me sempre um passo à frente. não por ser o melhor, mas por ser demasiado orgulhoso. não sou totalitário, espero que todos acreditem em si e que cheguem onde querem da maneira que quiserem.

cinema

afinal existem bons filmes! ainda assim, a música é uma forma de arte muito mais livre. para o provar basta  comparar o orçamento de um filme e de um álbum. naturalmente que o orçamento de um filme é maior. logo o filme é, em geral, mais limado para agradar às massas para, consequentemente, gerar lucro.

erros e ilusões

não são para evitar. o truque é levantarmo-nos do chão tão depressa como mergulhamos nele(a)s.

possível e impossível

tudo é possível. ok, não é possível ultrapassar a velocidade da luz. e até isso pode ser discutível se formos muito cínicos, desculpe sr. Einstein. também não é possível viver para sempre. não me ralo minimamente com isso. existe memória, por isso, existimos para sempre. abandonamos apenas o mundo físico. todo o nosso comportamento deve-se ao facto de sermos finitos, se isso mudar… nem quero pensar.

significado

apesar de todas as descobertas científicas, nunca se irá compreender completamente o mundo físico. pode parecer frustrante mas é precisamente esta constante luta que torna tudo isto interessante. para nos defendermos da frustração de estarmos sempre quase devemos ser místicos. invocar o deus que há dentro de nós e expormo-nos à parcialidade e ao erro. no final do dia, em que as dúvidas se acumulam, o sentimento que deve emergir deve ser de celebração desta maquinaria pesadíssima chamada humanidade. ao mesmo tempo, devemos não esquecer a nossa insignificância, que pensamento tão confortável! se nos conseguirmos rir da nossa vertigem, melhor.

é preciso dar força à ciência, à filosofia, à sátira, ao riso e ao misticismo. é preciso matar todos os deuses e religiões. e a arte é o elemento eternamente presente: espelhando a vontade da sociedade, unindo as massas sob um ideal semelhante e consolando a nossa desgraça mesmo nos momentos mais angustiantes.

a

adoro a minha instabilidade. pergunto-me se sou feliz. não sou. mas sinto-me realizado por saber que não sou feliz, que ando sempre à procura. e a ideia de estar sempre quase alimenta-me e dá-me excitação suficiente para continuar. venha mais um ano caralho que eu adoro esta grande puta de merda chamada vida!

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para recordar:

Alejandro Jodorowsky Orfeu Bertolami Richard Alpert “Waking Life” “Holy Mountain” The Ocean Fifty Foot Hose Amplifest “Angels and Sailors” LSD Santos Pecados Supercondutividade e Eficiência Energética (http://supercondutieficiencia.blogspot.com/)