estou a caminhar. mas porquê? estou a ir na direcção certa? porquê continuar este movimento sincronizado das minhas pernas? devo parar? devo deixar de existir? eu não sei. porque é que o mundo não colapsa comigo? não seria tão bom ver tudo desmoronar-se? sentir, assim, algum aconchego na alma. sentir irmandade com o mundo, sentir que o influencio e que ele também se importa comigo. mas ele não se importa e custa-me ter de o encarar sem escape possível.

algum tempo depois. volto a ser a ser pessoa. volto a reagir. volto a interagir… e o mundo é perfeito outra vez. não resolvi nada, só adiei. sempre a mesma merda. o pior de tudo é sentir uma enorme falta de poder. não saber o que dizer. relativizar tudo, não ser radical em nada.

depois resta furgir.

e depois o ciclo repete-se.

e, no fim disto tudo, ainda espero que me digam que tudo isto não passa de uma brincadeira para os apanhados. que me digam que sempre estive certo e que todos os obstáculos foram minuciosamente lá colocados. a vida não é sacrifício, eu apenas não sei o que é a realidade. apesar de tudo, agradeço a forma perfeita e ajustada como tudo aconteceu…

até ao infinito!