há dois tipos de vazio. o mais óbvio é aquele vazio ingénuo e inocente. desprezando o facto de nada ser alguma coisa, este é o vazio do nada.

felizmente, ou infelizmente, nem tudo é assim tão simples. existe um vazio que encerra em si muito mais que nada. imaginem-se dois vectores com a mesma direcção mas sentidos contrários. se estes dois vectores tiverem a mesma norma (comprimento), a sua soma será igual a 0. portanto, apesar de o resultado ser nulo, o ponto de partida não era o nada. podem-se também considerar as partículas de um sólido. essas partículas têm liberdade de movimento e exercem forças umas nas outras (forças internas). apesar disso, o sólido permanece em repouso, desde que sobre ele não actuem forças externas, porque o somatório destas forças internas é igual a 0. identifico-me com este vazio. é como que operassem demasiadas coisas em mim, coisas que não estão orientadas segundo um sentido comum. assim, o somatório disso tudo vai ser igual a 0. as minhas forças internas são as minhas opiniões, os meus sentimentos. mas como é tudo tão contraditório, é como que se eu tivesse uma enorme vontade de falar e da minha boca não fosse emitido qualquer som. curioso, sempre fui muito ansioso a comunicar, daí que a minha gaguez. e quanto mais não fosse, sofreria de gaguez de espírito.

a ouvir:

L’ombre Et La Proie – Psykup

You Will Not Survive – The Saddest Landscape

Stadia Rods – Coilguns